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As áreas de aplicação da Engenharia de Reabilitação
podem ser vistas sob vários pontos de vista. Algumas áreas
estão identificadas na classificação
ISO 9999/2007 de produtos de apoio e na classificação
de tecnologias de apoio dos EUA (National
Classification System for Assistive Technology Devices and Services).
No caso dos EUA também são considerados Serviços.
A correspondência entre estas duas classificações
é aproximadamente a que se apresenta na seguinte tabela:
Classificação de Produtos
de Apoio
ISO 9999/2007 |
Classificação
dos EUA para
Tecnologias de Apoio
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Produtos para Tratamento Clínico Individual |
Vida Independente |
Produtos para Cuidados Pessoais e Higiene |
Vida Independente |
Produtos para Cuidados Domésticos
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Vida Independente |
Próteses e Ortóteses |
Ortóteses/Próteses |
Produtos para a Mobilidade |
Mobilidade |
Mobiliário e Adaptações
para Habitação e outros Locais |
Mobiliário Modificado
Elementos Arquitectónicos
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Produtos para Comunicação
e Informação |
Computadores
Elementos Sensoriais
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Produtos para manuseamento de produtos
e mercadorias |
Controlos
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Produtos para Recreação |
Recreação, Lazer e Desporto
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Produtos para Treino de Capacidades |
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Serviços
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Os produtos para a vida independente estão relacionados com cuidados
pessoais e domésticos, alimentação, produtos para a
manipulação de produtos, ajudas de orientação
e equipamento médico.
Os elementos de arquitectura incluem apoios, produtos para abrir e fechar
portas e janelas, elevadores, e material de segurança.
A Universidade Estadual
de Wright – Ohio nos EUA (Instituição que ofereceu
há alguns anos formação pós-graduada em Engenharia
de Reabilitação) identificou, nos anos 90, as seguintes
áreas para prestação de serviços :
1 - Veículos Adaptados;
2 - Recreação Adaptada;
3 - Comunicação Aumentativa;
4 - Acesso ao Computador;
5 - Controlo Ambiental;
6 - Estimulação Eléctrica Funcional;
7- Adaptações da Habitação;
8- Tecnologia para a Mobilidade;
9 - Posicionamento e Assentos;
10 - Cuidados Pessoais e Autonomia;
11 - Ajudas Sensoriais;
12 - Adaptação dos Postos de Trabalho – acessibilidade
e aumento de produtividade:
Os profissionais de terapia ocupacional tem como alvo principal a disfunção
ocupacional e há muito que estudam as actividades humanas. No documento
“Uniform Terminology for Ocupation Terapy” (3.ª
edição) da Associação Americana de Terapia
Ocupacional as actividades estão categorizadas em três áreas
de desempenho ocupacional [Cook 2002]:
Actividades para a vida diária: inclui o vestir,
cuidados pessoais, alimentação, comunicação,
socialização, sexualidade, mobilidade, entre outras.
Actividades produtivas e de trabalho: actividades
domésticas, educacionais, criativas, culturais, intelectuais,
profissionais, apoio a terceiros, entre outras.
Actividades de recreação e lazer: actividades
relacionais com afirmação/expressão pessoal, divertimento
e relaxação
Algumas actividades podem pertencer a duas ou três áreas
de desempenho. Por exemplo a leitura. Podemos ler uma prescrição
médica (cuidados pessoais), por motivos profissionais (no trabalho)
ou por prazer.
Sendo a Actividade o ponto de partida para determinar que tecnologia
poderá ser necessária, encontramos nesta classificação
outra forma de identificar as aplicações da Engenharia de
Reabilitação.
Os projectos de investigação europeus apoiados pela Comissão
Europeia entre 1993 e 1998 nos programas TIDE e Telematics foram
agrupados nos seguintes domínios:
1. Acesso a tecnologias e serviços
2. Vida no domicílio e cuidados à distância
3. Mobilidade e transporte
4. Controlo e manipulação
5. Recuperação e melhoria das funções
6. Qualidade de vida e questões de mercado
Os projectos tinham como alvo idosos, cuidadores, pessoas com deficiência,
serviços e o Design para Todos.
Não sendo fácil classificar o campo de actuação
da Engenharia de Reabilitação, defendemos no entanto que
deve contemplar as seguintes áreas:
1 – Funções do corpo: funções
sensoriais: visão, audição; funções
mentais; funções da voz, da fala e relacionadas com a comunicação;
funções neuromusculoesqueléticas e relacionadas com
o movimento: mobilidade, manipulação;
2 – Actividades humanas e meios de participação
social: inclui educação, emprego, vida independente,
interacções e relacionamentos interpessoais, desporto, recreação
e lazer;
3 – Produtos e Tecnologias: inclui produtos de
apoio e de reabilitação, técnicas de fabrico e avaliação
de tecnologias de apoio, sistemas de qualidade, transferência de
tecnologia, transportes, acessibilidade a produtos gerais (produtos de
consumo, instrumentação médica, informação
e comunicação, etc.), actividades de normalização;
4 – Serviços: prestação de
serviços púbicos e privados gerais (serviços de saúde,
apoio social, protecção civil, telecomunicações,
etc.), adaptados ou especialmente concebidos para populações
com necessidades especiais (inclui o apoio a pessoas que prestam esses
serviços);
5 – Acessibilidade ao ambiente: Inclui espaços
arquitectónicos construídos e ambientes naturais modificados
ou utilizados pelo homem;
6 – Qualidade de vida: inclui tudo o referido anteriormente,
bem como conforto, segurança, realização pessoal,
bem-estar.
Com esta aproximação pretende-se defender que independente
da classificação que possa ser adoptada, com maior ou menor
detalhe, poderemos considerar: o ser humano, a sua actividade, a tecnologia,
os serviços, o ambiente e a qualidade de vida. No fundo temos a
Funcionalidade Humana, a Acessibilidade e a Qualidade de Vida.
Entendemos Acessibilidade como:
Facilidade de acesso e de uso de ambientes, produtos e serviços
por qualquer pessoa e em diferentes contextos. Envolve o Design Inclusivo,
oferta de um leque variado de produtos e serviços que cubram as
necessidades de diferentes populações, adaptação,
meios alternativos de informação, comunicação,
mobilidade e manipulação, produtos e serviços de
apoio/acessibilidade [Godinho, 2010].
Última actualização: 10 de Janeiro
de 2010
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