Tomamos como ponto de partida para a observação e análise
da situação da formação em Engenharia de Reabilitação
e em Tecnologias de Apoio na Europa os resultados do estudo europeu HEART
– Linha E – Formação em Tecnologias de Reabilitação
em 1993. Estudamos levantamentos sobre formação nesta área
realizados também em projectos europeus subsequentes como o EUSTAT,
IMPACT e TELEMATE,
publicações de profissionais e organizações
de referência a nível europeu e efectuamos a compilação
de informação realizada por iniciativa própria e obtida
por listas de discussão de correio electrónicas ao longo de
vários anos.
Em 1993
o estudo HEART [Azevedo 1993] identificou vários tipos de cursos
europeus com uma com formação em Tecnologias de Reabilitação
dos quais destacamos as seguintes após estudo mais detalhado:
Reino Unido
University of Dundee, Escócia (1978):
Mestrado em Ciências de Engenharia Biomédica com ênfase
em Biomecânica, Engenharia de Reabilitação e Engenharia
Ortopédica. Ofereceu também um Diploma de Curso em Tecnologia
de Reabilitação, destinado principalmente a profissionais
da área da saúde sem background em áreas
de Engenharia. Em 1989 passaram a ter como oferta de ensino à
distância um Diploma de Curso (graduação) em Ortopedia
e Tecnologia de Reabilitação.
University of Surrey, Inglaterra (1964):
Mestrado em Engenharia Biomédica com vários tópicos
de Engenharia de Reabilitação. Desconhecemos quando foram
introduzidas as unidades curriculares de Engenharia de Reabilitação.
King’s College London, Inglaterra
(1991): Certificado e Diploma em Engenharia de Reabilitação
destinado a profissionais em serviço no sistema nacional de saúde.
Esta formação, em part-time, era assegurada pelo CoRE
[Turner-Smith 1995].
Suécia
Dalarna University College (antiga University
College of Falun/ Borlänge) (1991): Licenciatura em Tecnologia
de Reabilitação /Diploma de Engenharia de Reabilitação,
programa de Engenharia de Reabilitação com a duração
de um ano para alunos com dois anos de estudos universitários
na área de engenharia [Turner-Smith 1995], [Dalarna 2009]. A
formação era assegurada pela Handitek
em colaboração com a Universidade.
É de salientar que o curso de Engenharia de Reabilitação
no King's College London se destinava a profissionais em serviço
(era um curso em part-time) e o da Universidade de Borlänge
a estudantes de licenciatura (formação pre-service).
A partir da última década foram surgindo outras iniciativas
na Europa. Destas, identificamos os seguintes programas de formação:
Portugal
Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias
(2006): Mestrado de Comunicação Alternativa
e Tecnologias de Apoio.
Instituto Superior Técnico da Universidade Técnica
de Lisboa (2007): Certificado de Especialização
em Design para a Diversidade, com formação em Tecnologias
de Apoio. Esta iniciativa foi promovida pela Fundação
Liga em colaboração com o Instituto Português de
Design e o Departamento de Ciências de Materiais do Instituto
Superior Técnico.
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
(2007): Licenciatura em Engenharia de Reabilitação e Acessibilidade
Humanas.
Reino Unido
University College Dublin (1998-2003,2005):
Diploma e Certificado de curso (undergraduate) em Tecnologias de
Apoio, com a duração de dois anos em part-time.
King’s College London (2003): Mestrado, Diploma
e Certificado de pós-graduação em Tecnologia de
Apoio.
Coventry University: Mestrado, Diploma e
Certificado em Tecnologias de Apoio (2008); Certificado (undergraduate)
de Tecnologias de Apoio para a Melhoria de Vida com a duração
de dois anos em part-time (2008); Curso de Graduação em
Ciências da Saúde/Engenharia de Reabilitação
(2008), com a duração de um ano e meio. Licenciatura em
Engenharia de Reabilitação, com duração
de 4 anos (2009).
Áustria
Espanha
Itália
Universidade Católica de Milão (1998):
Pós-graduação/Especialização em Tecnologias
para a autonomia e integração social de pessoas com incapacidade.
Este curso é promovido pelo SIVA (Centro de Aconselhamento e
Investigação em Tecnologias de Apoio da Fundação
Don Gnocchi de Milão) em colaboração com a Universidade.
Universidade de Treiste (2010): Mestrado
em Tecnologias de Apoio.
A audiência da pós-graduação em Tecnologias
para a Autonomia em Itália entre 1998 e 2004 (5 edições
do cursos) teve a seguinte distribuição em percentagem (arredondada)
para um total de 179 formandos [Andrich 2005]: Terapeutas – 65%;
Médicos – 21% ; Tecnólogos – 6 % ; outros: 12%.
Esta informação surpreende principalmente ao nível
da percentagem de formandos na área da medicina, cuja participação
em formação a este nível é muito rara. Também
é de estranhar uma presença reduzida de professores/educadores
(englobada na classificação de outros profissionais). O
número de tecnólogos (Engenheiros, Arquitectos, e outros)
foi apenas 11 (2 formados em média por cada edição
do curso numa turma de 36). Nos EUA esta percentagem também era
similar em cursos de Tecnologias de Apoio. Estes dados levam-nos a pensar
que este tipo de formação destinada a profissionais com
um leque de qualificações muito diversificado tem um impacto
bastante reduzido na formação de profissionais de Engenharia.
Segundo o nosso conhecimento, actualmente existem apenas dois programas
de formação conducentes a grau académico (Licenciatura/Bacharelato,
Mestrado ou Doutoramento) em Engenharia de Reabilitação
na Europa: a Licenciatura da UTAD, em funcionamento desde 2007, e a Licenciatura
(BSc Honours Degree) da Universidade de Coventry, na Inglaterra,
a funcionar desde 2009.
Um resumo de cada programa de formação e da sua situação
actual pode ser encontrada no Anexo
2. Ao todo são apresentados 18 programas, estando 14 em funcionamento
e 4 suspensos.
Tal como acontece nos EUA, também na Europa é possível
encontrar em vários programas de formação em Engenharia
Biomédica unidades curriculares de Engenharia de Reabilitação
ou de Tecnologias de Apoio. Tipicamente incluem uma unidade curricular,
embora possuam outro tipo de matérias comuns a planos de estudo
de Engenharia de Reabilitação, como por exemplo Biomecânica.
A introdução de unidades ou módulos curriculares
sobre Acessibilidade ou Design Inclusivo em cursos de Engenharia ou formações
afins, nomeadamente na área da Informática, é outra
tendência que tem vindo a ser implementada na Europa na última
década, muito impulsionada pelo impacto desta questão nos
serviços disponibilizados pelo Estado na Internet e pelas políticas
de Inclusão Digital da Comissão Europeia e dos Estados Membros
da União Europeia. A formação em Acessibilidade Digital,
implica também a transmissão de conhecimentos de Tecnologias
de Apoio aplicadas ao sector das Tecnologias de Informação
e Comunicação [IDCnet].
Última actualização: 14 de Janeiro
de 2010
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