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Segundo o nosso conhecimento o primeiro estudo para determinar as competências
básicas e especificas necessárias para a actividade profissional
em Engenharia de Reabilitação foi iniciado em 1978 no seio
da divisão de Engenharia Biomédica da Sociedade Americana
para a Educação em Engenharia [Potvin 1980]. Para esse feito
foi realizado um questionário a quatro grupos de profissionais: professores
de Engenharia Biomédica, Engenheiros (no campo da Engenharia Biomédica,
não necessariamente em Reabilitação), médicos
e profissionais de saúde especializados (administradores, investigadores,
fisioterapeutas, terapeutas da fala, enfermeiros, conselheiros profissionais,
técnicos de ortoprotesia). O questionário era composto por
uma lista de conhecimentos científicos e técnicos que estes
profissionais classificariam de necessários, desejáveis mas
não requeridos ou não necessários. Da análise
dos resultados desta avaliação seria possível desenvolver
um curricula para a formação de Engenheiros com o objectivo
de assumirem carreiras de responsabilidade no campo da Medicina de Reabilitação.
Os resultados deste estudo indicaram que as competências básicas
deveriam ter uma ênfase em transdutores, dispositivos médicos,
análise de movimento e anatomia, e que as competências específicas
seriam no domínio dos produtos de apoio e dispositivos de reabilitação,
programas de controlo de equipamento e legislação relacionadas
com a área.
Neste estudo é interessante observar outros resultados paralelos
à identificação das competências.
Numa tentativa de avaliar se os profissionais consideravam a Engenharia
de Reabilitação diferente da Engenharia Clínica foi
pedido que respondessem sim, não ou não sabe. Os resultados
mostraram que os médicos, os profissionais e professores de Engenharia
Biomédica sentiam que os campos eram diferentes. A maioria dos
outros profissionais de saúde não sabia responder a essa
questão. Entre os comentário relativos a esta questão
os profissionais consultados eram da opinião que os Engenheiros
de Reabilitação tinham um contacto mais directo com os pacientes,
seriam mais orientados para dispositivos mecânicos enquanto que
os Engenheiros Clínicos teriam maiores responsabilidades na instrumentação
electrónica, e teriam que possuir conhecimentos mais aprofundados
em processos patológicos, doenças, restrições
de mobilidade, e áreas profissionais.
Os profissionais e professores de Engenharia Biomédica manifestaram
também o receio que o estudo viesse a fomentar a criação
de formação específica em Engenharia de Reabilitação,
defendendo que esta área deveria ser considerada uma especialidade
de Engenharia Biomédica de forma a conservar os recursos humanos
e materiais existentes nas faculdades.
A interpretação feita aos resultados sugeriu também
que o mestrado se apresentava como o tipo de formação mais
razoável. A percepção da necessidade de uma formação
mais avançada como o mestrado foi mais patente nos profissionais
de saúde.
Um Engenheiro de Reabilitação poderia obter primeiro uma
Licenciatura em Engenharia Electrotécnica com ênfase em electrónica,
aquisição e processamento de dados, sistemas de controlo
e com o maior número de opções de Engenharia Mecânica
permitidas. Alternativamente, poderia obter uma licenciatura em Engenharia
Mecânica ou Engenharia Biomédica com ênfase nas áreas
acima referidas.
O programa de mestrado deveria consistir em: três a cinco unidades
curriculares em Engenharia Electrotécnica/Mecânica nos domínios
do projecto de electrónica, projecto de mecânica, informática
e sistemas de controlo; duas ou três unidades curriculares na área
médica e da biologia cobrindo fisiologia, neurofisiologia, anatomia,
neuroanatomia e análise do movimento; quatro ou cinco unidades
curriculares em Engenharia Biomédica incluindo biomecânica
do movimento, biomateriais e bio-instrumentação e duas ou
três unidades curriculares combinando projectos, estágio
e aulas destinadas a fornecer competências específicas para
a Engenharia de Reabilitação.
Este estudo coincide com o período de lançamento dos primeiros
mestrados de Engenharia Biomédica com especialização
ou concentração em Engenharia de Reabilitação:
em 1978 na Universidade de Dundee – Escócia e em 1979 na
Universidade de Virgínia – EUA. Curiosamente é também
nesta altura que surge a RESNA (1979), apesar de existência da Sociedade
de Engenharia Biomédica dos EUA.
No final dos anos 80 e início dos anos 90 surgem vários
programas de formação em Engenharia de Reabilitação
com iniciativas ao nível do ensino pré-graduado e graduado.
Contudo, enquanto que nos EUA a necessidade de formação
de engenheiros de reabilitação se fez sentir ao nível
dos serviços de engenharia/tecnologias de reabilitação
para a integração de pessoas com deficiência, nomeadamente
no trabalho, na Europa, e em particular no Reino Unido, essa necessidade
teve origem na qualificação do sistema nacional de saúde.
Em 1993 era reconhecido pelos investigadores europeus que a formação
em Engenharia de Reabilitação estava mais desenvolvida na
América da Norte do que na Europa [Azevedo 1993].
Em seguida passaremos a descrever o desenvolvimento da formação
em Engenharia de Reabilitação e Tecnologias de Apoio ocorrido
nos EUA e Europa a partir do final da década de 80.
Na caracterização de cada programa de formação,
disponível no Anexo 1 e no
Anexo 2, adoptamos vários
tipos de dados considerados pela RESNA no seu sítio Web sobre programas
de formação. A simbologia para cada tipo de formação
é a seguinte:
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Formação em Engenharia de Reabilitação
para qualquer tipo de estudante de engenharia ou técnico de tecnologias
de engenharia |
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Formação em Engenharia Biomédica |
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Formação em Reabilitação Profissional |
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Formação para profissionais de saúde |
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Formação em Tecnologias de Apoio |
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Formação em Terapia Ocupacional |
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Formação em Educação/Educação Especial |
Nas referências a graus académicos de Bacharel, traduzidos
para português, adoptamos a designação de Licenciatura
entendida como o grau equivalente em Portugal pós-Bolonha.
Última actualização: 16 de Janeiro
de 2010
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