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- Engenharia de Reabilitação - Engenheiro
de Reabilitação - Formação - História
- Conceitos-chave
Formação em Engenharia de Reabilitação e Acessibilidade
O estudo europeu HEART - Horizontal European Activities in Rehabilitation Technology, financiado pelo programa TIDE – Technology Initiative for Disabled and Elderly People da União Europeia (1991-1993) - foi levado a cabo com o objectivo de melhorar a situação das pessoas com deficiência e idosas, intervindo a nível de facilitação da cooperação e troca de experiências entre os actores do processo e melhoria da qualidade e eficácia dos produtos e serviços, e criando um mercado único de tecnologias de reabilitação.
A Linha E - Formação em Tecnologias de Reabilitação, coordenada pelo CAPS – Centro de Análise e Processamento de Sinais do Instituto Superior Técnico, teve como principal objectivo propor componentes para um curricula em tecnologias de reabilitação, a diferentes níveis e para diferentes formações de base. Nesta área foi feito um levantamento dos programas de formação existentes na Europa e na América do Norte e foram diagnosticadas as necessidades de formação dos profissionais de reabilitação, no que diz respeito a tecnologias e serviços. Partindo destes resultados foi estabelecido um modelo de formação e um curriculum de formação em tecnologias de reabilitação.
Como conclusão deste estudo para esta área:
- todos os programas devem incluir componentes tecnológicas, humanas e socio-económicas, devendo ser abordadas pela perspectiva do utilizador e do ambiente;
- os requisitos
tecnológicos obedecem a quatro áreas referidas como necessárias
e que são: mobilidade, comunicação, manipulação
e orientação.
O Professor
Rory A. Cooper, actual presidente da RESNA
- Rehabilitation Engineering and Assistive Technology Society of North América
- menciona as competências dos Engenheiros de Reabilitação
no seu livro “Engenharia
de Reabilitação Aplicada à Mobilidade e Manipulação”
(1995).
Competência de Engenharia: A formação ao
nível de bacharelato em Engenharia (com a duração de 4
anos nos EUA) ou equivalente é considerado o mínimo de qualificação
necessária para a prática de engenharia de reabilitação.
Os Engenheiros de Reabilitação devem possuir formação
básica de engenharia e algum nível de especialização.
Poucos podem ser competentes em todas as áreas de engenharia, contudo
Rory Cooper defende que todos os Engenheiros de Reabilitação deveriam
ter conhecimentos básicos de projecto de circuitos eléctricos
e electrónicos, projecto de máquinas, sistemas e sinais, mecânica
dos materiais e informática.
Competência em Ciências da Reabilitação:
Segundo Levine (1990) os Engenheiros de Reabilitação devem possuir
conhecimentos de Anatomia, Fisiologia, Biomecânica, Neurociências
e Análise do movimento do corpo humano.
Competência Científica: Considerando que a Engenharia
de Reabilitação é um campo orientado para pessoas (mais
do que a maioria das engenharias) devem ser optimizadas as relações
entre as tecnologias ou técnicas e as necessidades da pessoa em causa.
Para esse efeito estes profissionais devem recorrer a métodos científicos
e estatísticos bem como atender ao feedback dos clientes para avaliar
a eficácia das tecnologias ou técnicas. Os Engenheiros de Reabilitação
devem também estar familiarizados com as técnicas de avaliação
de terapeutas e médicos de reabilitação física para
poderem fazer recomendações de tecnologia apropriada.
Competência em Tecnologias de Apoio (ou adaptativas):
O conhecimento das tecnologias de apoio (Ajudas Técnicas), técnicas
e recursos existentes é primordial ao sucesso da actividade dos engenheiros
de reabilitação. Neste contexto, os Engenheiros de Reabilitação
devem ser capazes de avaliar, modificar e integrar as tecnologias de apoio.
Terão que ser capazes de perspectivar sistemas compostos por pessoas
e tecnologia. Sempre que possível também deve considerar as questões
de acessibilidade económica sem comprometer os objectivos dos clientes.
Competência de trabalho em equipas multidisciplinares: O Engenheiro
de Reabilitação deve ser capaz de comunicar e trabalhar com vários
profissionais envolvidos nos processos de reabilitação, bem como
com o cliente.
Prática de Engenharia de Reabilitação:
A prática da Engenharia de Reabilitação pode variar conforme
o local de Emprego.
Durante a conferência anual da RESNA é habitual a organização de uma curta formação de 5 horas de preparação para o exame de Tecnologia da Engenharia de Reabilitação. Esta formação está orientada para profissionais com formação em engenharia ou cursos técnicos afins com vários anos de experiência em engenharia de reabilitação
Os tópicos cobertos são os seguintes:
• Mecânica, Estática, Dinâmica
• Mecânica dos materiais, projecto de estruturas
• Cinemática, projecto de mecanismos
• Teoria de circuitos eléctricos
• Teoria e projecto de Microprocessadores
• Prática e Projecto de Engenharia de Reabilitação
A introdução à Engenharia de Reabilitação
pode ter em algumas formações de Engenharia a forma de uma disciplina.
É interessante analisar os conteúdos de uma disciplina desta natureza
porque em princípio deveria transmitir uma ideia global desta área
da engenharia. Apresentam-se três exemplos:
1. Brasil: Centro Federal de Educação Tecnológica
do Paraná
Disciplina: Engenharia
de Reabilitação
Programa de Pós-Graduação em Eng. Eléctrica e Informática
Industrial
Docente:Prof. Percy Nohama
Tópicos:
Engenharia de Reabilitação, Cibernética, Ergonomia, Interfaces, Comunicação Aumentativa e Substitutiva, Mobilidade, Tecnologias de Apoio para Portadores de Deficiências, Biomecânica, Órtoteses e Próteses, Estimulação Eléctrica Neuromuscular
Programa:
Engenharia de Reabilitação. Conceitos
Cibernética. Conceitos
Ergonomia. Ergonomia de software. Projecto de interfaces
4. Ajudas Técnicas para Portadores de Deficiência Visual
Dispositivos para comunicação
Dispositivos para mobilidade
Dispositivos para educação, lazer e ocupação
5. Ajudas Técnicas para Portadores de Deficiência Auditiva
Dispositivos para comunicação
Dispositivos para audição
6. Ajudas Técnicas para Portadores de Deficiência Sensorial
7. Ajudas Técnicas para Comunicação de Indivíduos Não-Vocalizados
8. Ajudas Técnicas para Escrita
9. Dispositivos de Manipulação e Mobilidade
10. Princípios de Estimulação Eléctrica
11. Biomecânica
12 Órtoteses e Próteses
2. EUA: Universidade do Sul da Florida
Disciplina: Rehabilitation
Engineering Applied to Mobility and Manipulation
Formação em Engenharia
Departamento de Engenharia Mecânica
Docente: Rajiv V. Dubey
Programa:
Fundamentos de Projecto em Engenharia de Reabilitação
Biomecânica da Mobilidade e Manipulação
Design Universal e Acessibilidade
Transportes Pessoais
Segurança, normas e teste de cadeiras de rodas
Cadeiras de rodas eléctricas e manuais
Suporte para a postura e assento
Próteses de Ortóteses
Equipamentos e veículos para recreação
3. EUA: Universidade Wisconsin-Madison
Disciplina: Design
and Human Disability and Aging
Formação inicial de Engenharia
Docente: Gregg C. Vanderheiden
Programa:
Pessoas com Deficiência Visual e Tecnologias de Apoio relevantes
Pessoas com Deficiência Auditiva e Tecnologias de Apoio relevantes
Pessoas com Deficiência Motora e Interface de Tecnologias de Apoio
Pessoas com Deficiência Mental e de Linguagem e Tecnologias de Apoio relevantes
Interacção com Pessoas com Deficiência
Regulamentação Governamental
Avaliação de Design de Produto para a Acessibilidade
Testes de Usabilidade
Design de Produtos para atender as necessidades de utilizadores com limitações
sensoriais
Design de Produtos para atender as necessidades de utilizadores com Incapacidades
físicas, cognitivas e outras,
Design Universal
A maioria dos cursos fornecidos nos EUA e na Europa aparecem como especialização
ao nível de pós-licenciatura ou mestrado em Tecnologias de Apoio,
Engenharia de Reabilitação, Tecnologias de Engenharia de Reabilitação
ou Ciências da Reabilitação e Tecnologia.
Na Europa podem ser consideradas referencias:
Reino Unido:
Mestrado em Tecnologias de
Apoio no King’s College (duração 1 ano) - King’s
College em Londres:
Pós-graduação
e mestrado em Tecnologias de Reabilitação e Ortopedia na modalidade
de ensino à distância (os módulos da formação
devem ser concluidos num período entre dois e cinco anos) – Universidade
de Dundee
Itália:
Curso de Especialização
"Tecnologia para a Autonomia e Integração da Pessoa com Deficiência"
(duração 200 H) – SIVA em colaboração com
a Universidade Católica de Sacro Cuore de Milão.
Nos EUA encontramos as referências seguidas pela Europa.
O Vermont Technical College foi uma das primeiras instituições
de ensino a fornecer formação em Tecnologia
de Engenharia de Reabilitação nos EUA. Esta instituição
fornece preparatórios de engenharia (2 anos) formando técnicos
de Engenharia prontos a exercer uma actividade profissional ou a ingressar em
formações de Bacharelato (4 anos nos EUA).
Em 1987 a Universidade de San Francisco ministrou uma pós-graduação
em Tecnologia de Engenharia de Reabilitação.
O Departamento de Engenharia Biomédica e de Factores Humanos da Universidade
Estadual de Wright – Ohio fornece um programa de mestrado
em Engenharia de Reabilitação desde 1991.
O Departamento de Ciências de Reabilitação e Tecnologia
da Universidade de Pittsburgh ministra formação em Tecnologias
de Reabilitação e Apoio com Certificação em Tecnologias
de Reabilitação e Apoio para estudantes mestrado de Reabilitação
e Certificação
e Engenharia de Reabilitação para estudantes de mestrado em
Engenharia (nesta caso passado pela Escola de Engenharia).
Uma lista mais completa sobre formação nesta área pode
ser encontrada na secção de links deste site.
Licenciatura em Engenharia de Reabilitação
e Acessibilidade Humanas na UTAD (2007 - 2010) ![]()
A estrutura da formação assegura mobilidade dos estudantes a
nível nacional e europeu e empregabilidade imediata também no
espaço europeu.
A Licenciatura em Engenharia de Reabilitação e Acessibilidade
Humanas segue várias recomendações, como as referidas anteriormente,
adoptando um modelo de formação transversal na área das
Ciências de Engenharia (Informática, Engenharia Mecânica,
Electrónica e Automação, Engenharia de Reabilitação
e Acessibilidade) e interdisciplinar no seu conjunto congregando áreas
das Ciências Sociais e do Comportamento, Ciências da Gestão
e Serviços Sociais.
A distribuição de ECTS da Licenciatura por área científica
é a seguinte:
ÁREA CIENTÍFICA (SIGLA): CRÉDITOS
Matemática (MAT): 23; Física (FIS): 5
Informática (INF): 16; Electrónica e Automação (EA):
26; Engenharia Mecânica (EMEC): 26
Engenharia de Reabilitação e Acessibilidade (ERA): 59
Reabilitação (REAB): 11; Medicina (MED): 6
Sociologia (SOC): 4; Serviços Sociais (SS) 2; Gestão (GEST) 2
TOTAL ECTS:180
Os cinco créditos na área científica de Física não
são ilustrativos do peso total desta área no curso pois para além
da Física inicial existem mais três unidades curriculares de física
aplicada: Mecânica Aplicada, Biomecânica e Biofísica afectas
às áreas científicas de Engenharia Mecânica e Engenharia
de Reabilitação e Acessibilidade.
O equilíbrio de ECTS nas áreas científicas de Engenharia
Mecânica e Electrónica e Automação evidência
a importância que ambas têm neste tipo de formação.
Esta Licenciatura, como Engenharia Humana, é composta essencialmente
por uma componente técnica e outra Humana, Social e Económica.
Componente Técnica: Informática, Electrónica e Automação, Engenharia Mecânica, Engenharia de Reabilitação e Acessibilidade (Tecnologias de Reabilitação, Design Universal e Acessibilidade Electrónica, Biomecânica, Biofísica e Biomateriais, projecto de Engenharia de Reabilitação e Acessibilidade).
Componente Humana, Social e Económica: Medicina (Anatomia
e Fisiologia Humana), Reabilitação (Fundamentos de Deficiência
e Reabilitação, Reabilitação Cognitiva), Sociologia
(Gerontologia), Gestão e Serviço Social.
PLANO DE ESTUDOS
O Plano de Estudos da Licenciatura contempla 33 unidades curriculares,
incluindo projecto anual.Cada semestre é constituído por 30 créditos
(ECTS) com uma média de 21 horas/semana de contacto presencial. No total
do 1º ciclo de formação o estudante deverá atingir
180 ECTS. Será conferido o grau de Licenciado.
UNIDADES CURRICULARES (SIGLA DA ÁREA CIENTÍFICA): CRÉDITOS
1º Ano, 1º Semestre:
Análise Matemática I (MAT): 6 ECTS
Álgebra Linear (MAT): 6 ECTS
Física (FIS): 5 ECTS
Programação (INF): 5 ECTS
Fundamentos de Deficiência e Reabilitação (REAB): 6 ECTS
Introdução à Engenharia de Reabilitação e
Acessibilidade (ERA): 2 ECTS
1º Ano, 2º Semestre:
Análise Matemática II (MAT): 6 ECTS
Desenho Técnico (EMEC): 6 ECTS
Electrónica Geral (EA): 6 ECTS
Programação por Objectos (INF): 6 ECTS
Materiais e Biomateriais em Engenharia (ERA): 6 ECTS
2º Ano, 1º Semestre:
Probabilidades e Estatística (MAT): 5 ECTS
Processos de Fabrico (EMEC): 5 ECTS
Mecânica Aplicada (EMEC): 5 ECTS
Sistemas Digitais e Microprocessadores (EA): 5 ECTS
Tecnologias de Reabilitação I (ERA): 5 ECTS
Reabilitação Cognitiva (REAB): 5 ECTS
2º Ano, 2º Semestre:
Anatomia e Fisiologia (MED): 6 ECTS
Mecânica dos Materiais (EMEC): 5 ECTS
Instrumentação e Sensores (EA): 5 ECTS
Design Universal (ERA): 5 ECTS
Tecnologias de Reabilitação II (ERA): 5 ECTS
Gerontologia (SOC): 4 ECTS
3º Ano, 1º Semestre:
Sistemas e Órgãos Mecânicos (EMEC): 5 ECTS
Automação e Controlo (EA): 5 ECTS
Biomecânica (ERA): 6 ECTS
Acessibilidade Electrónica (ERA): 6 ECTS
Projecto (ERA): 6 ECTS
Seminário de Gestão (GEST): 2 ECTS
3º Ano, 2º Semestre:
Redes e Aplicações Telemáticas (INF): 5 ECTS
Robótica (EA): 5 ECTS
Biofísica (ERA): 6 ECTS
Projecto (ERA): 12 ECTS
Seminário de Serviço Social (SS): 2 ECTS
Provas de Ingresso (2007/2008):
Uma das seguintes provas:
02 Biologia e Geologia
ou
07 Física e Química
ou
16 Matemática
Vagas previstas: 25 (a atribuição do número
de vagas é da responsabilidade do MCTES)
Este curso já foi registado
na Direcção Geral do Ensino Superior .
Última actualização: 26 de Fevereiro de 2007
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CERTIC - Centro de Engenharia
de Reabilitação em Tecnologias de Informação e Comunicação UTAD/Edifício de Engenharias II, Apartado 1013 - 5001-801 Vila Real - Portugal Contacto: Francisco Godinho |