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A origem dos conceitos modernos de acessibilidade é frequentemente
atribuída aos países escandinavos nos anos 50 [Frieden
2001]. Neste período surge o conceito de Normalização,
na Dinamarca, associado a “medidas que permitem a qualquer pessoa
viver de forma confortável, independentemente da idade, sexo, incapacidade,
percepção e capacidade para se deslocar” [Akiyama
2005].
Nos anos 60 surgem várias especificações técnicas
para a acessibilidade de pessoas com deficiência aos edifícios
(Inglaterra 1963, EUA 1968, Suécia 1969) [Szu-Yu
2009], [CUD].
Nos anos 70 a ONU promove o conceito de Design Livre de Barreiras
e a ISO publica as primeiras directrizes sobre as necessidades de pessoas
com deficiência nos edifícios [Roosmalen 2007], [Szu-Yu
2009]. Poderemos considerar que a partir dos anos 70 a preocupação
com a Acessibilidade era algo que começava a generalizar-se na
Europa, EUA e em alguns países mais desenvolvidos, como o Japão.
Contudo, neste período a acessibilidade resumia-se principalmente
ao meio edificado e via pública, bem como a condições
para a educação e trabalho.
A Lei da Reabilitação dos EUA, em 1973,
vem precisamente a impor a criação de adaptações
razoáveis e ambientes menos restritivos no emprego e no ensino
superior financiado pelo estado federal, a par do fornecimento de Tecnologias
Reabilitação nos Programas Individuais de Reabilitação.
Passados dois anos, essas medidas são estendidas às escolas
e à integração de crianças e jovens com deficiência,
com a lei “Education for All Handicapped Children Act”.
Mas o grande marco para a Acessibilidade surge apenas em 1980, nos EUA
com a ADA – Americans with Disabilities
Act; uma lei civil que proíbe a discriminação
de pessoas com incapacidade e promove a acessibilidade no trabalho, em
edifícios e transportes públicos, em locais que recebem
público e nas telecomunicações.
Alguns dos activistas norte-americanos profundamente envolvidos na criação
da ADA e de outros movimentos dos anos 70 para a promoção
do acesso livre de barreiras, design livre de barreiras, acesso aos transportes,
ajudas técnicas (produtos de apoio), serviços para pessoas
com deficiência, educação e politicas inclusivas tinham
nessa altura como referência e objectivo seguir os padrões
culturais de alguns países da Europa [Frieden
2001].
É também no início dos anos 80 que
começa a surgir a legendagem oculta (Closed Captions) para surdos
na televisão na Europa (através do Teletexto inventado no
Reino Unido) e nos EUA.
Em 1993, a ONU publica a Normas sobre a Igualdade de Oportunidades
para as Pessoas com Deficiência, contemplando a Acessibilidade
como uma área fundamental para a igualdade de participação.
A norma sobre acessibilidade refere o seguinte no seu preâmbulo
[ONU 1993]:
"Os Estados devem reconhecer a importância global das
condições de acessibilidade para o processo de igualdade
de oportunidades em todas as esferas da vida social. No interesse de
todas as pessoas com deficiência, os Estados devem: a) iniciar
programas de acção que visem tornar acessível o
meio físico; b) tomar medidas que assegurem o acesso à
informação e à comunicação."
Também recomenda ao Estados “a adopção de
legislação que garanta as condições de acessibilidade
às várias áreas sociais, tais como: habitações,
edifícios, transportes públicos e outros meios de transporte,
vias públicas e outros espaços exteriores.” No
contexto do acesso à informação refere, entre outras
recomendações, a importância da promoção
da acessibilidade dos serviços de comunicação social
(televisão, rádio e imprensa escrita) e de sistemas de informação
de dados informatizados.
Nos anos 90, surgem os conceitos de Design Universal
nos EUA e Design para Todos na Europa com o mesmo significado.
Pretende-se com esta abordagem ultrapassar o conceito de acessibilidade
para pessoas com deficiência para passar a considerar o projecto
ou design de produtos e ambientes para uso de todas a pessoas, na maior
extensão possível, sem a necessidade de adaptação
ou design especializado [Mace
1985]. O conceito de Design Inclusivo, com origem no Reino
Unido, introduz uma ligeira alteração ao conceito anterior,
considerando o público-alvo ou a universalidade será a razoavelmente
possível.
Na última década acentuou-se a necessidade de introduzir
matérias curriculares sobre Acessibilidade em vários cursos
de ensino superior, nomeadamente nos domínios da Arquitectura,
Design, Engenharia e Tecnologias de Informação e Comunicação.
Actualmente as iniciativas legislativas implementadas em vários
países que visam especificamente a acessibilidade ou que a incluem
são de vária natureza. Encontramos legislação
do tipo horizontal como as Leis de Reabilitação, gerais
sobre Acessibilidade, sobre inclusão educativa, de igualdade de
oportunidades no trabalho, de proibição da discriminação
ou para as compras públicas do estado. Em termos sectoriais existe
legislação sobre Acessibilidade no meio edificado, nos transportes,
na televisão, nas telecomunicações, em serviços
Web (principalmente do Estado), nas tecnologias de informação
e comunicação, nos produtos de consumo, em actos eleitorais,
entre outros.
Em paralelo com a legislação tem sido produzido nos últimos
20 anos um vasto leque de linhas de orientação e normas
técnicas sobre a acessibilidade em diversas áreas, incluindo
recomendações para actividades de normalização
futuras sobre produtos e serviços. A legislação sobre
acessibilidade só é viável com este tipo de conhecimento
técnico.
A Acessibilidade também é alcançada através
de Tecnologias de Apoio e os progressos neste sector têm sido imprescindíveis
no combate à exclusão social. Uma boa parte da actividade
em Engenharia de Reabilitação é actualmente vocacionada
para a Acessibilidade.
Última actualização: 16 de Janeiro de 2010
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