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Estudos - O Profissional de Engenharia de Reabilitação/Desenvolvimento da Profissão no Reino Unido

Desenvolvimento da Profissão no Reino Unido

A identificação do desenvolvimento da profissão no Reino Unido está muito ligada á área da Saúde. Podemos identifica-la com iniciativas governamentais do Departamento de Saúde, do CoRE – Centre of Rehabilitation Engineering, no King’s College London, do IPEM - Institute of Physics and Engineering in Medicine e da parceria para o Registo Voluntário de Tecnólogos Clínicos (VRTC - Voluntary Register of Clinical Technologists) que procuram regular a profissão.

O CoRE foi criado em 1991 para apoiar o desenvolvimento de serviços de engenharia de reabilitação do Serviço Nacional de Saúde na área da educação e treino. Instalado no King's College London, ministrou cursos de part-time para a obtenção de certificados em Engenharia de Reabilitação desde o início dos anos 90 até 2007 (undergraduate Certificate in Rehabilitation Engineering), financiados pelo Serviço Nacional de Saúde. Os cursos destinavam-se a profissionais em serviço e tinha uma duração de um ou dois anos [Turner-Smith 1995].

O IPEM (Instituto de Física e Engenharia na Medicina) é organismo encarregado pelo Departamento de Saúde de conceber e garantir o cumprimento de normas para a prática da engenharia na medicina. Este Instituto caracteriza a Engenharia de Reabilitação da seguinte forma no documento "IPEM Policy on Rehabilitation Engineering Services" [Turner-Smith 1999]:

    A Engenharia de Reabilitação é a aplicação clínica dos princípios da engenharia e tecnologia na prestação de serviços, investigação e desenvolvimento na resposta às necessidades das pessoas com incapacidade. Envolve a redução das barreiras ambientais, e/ou o restauro ou melhoria das funções físicas, mentais e sociais da pessoa com incapacidade.

Neste relatório do IPEM a Engenharia de Reabilitação é entendida como um elemento importante de um serviço de reabilitação abrangente e inclui os seguintes serviços e temas de investigação, projecto, desenvolvimento, produção e marketing [Turner-Smith 1999]:
    1. Mobilidade em cadeiras de rodas e veículos especiais;
    2. Tele-Assistência e Sistemas de Comunicação Aumentativa e Alternativa;
    3. Tecnologias de Apoio para todas as actividades de vida diária e doméstica, educacional, profissional, recreativa, social e em ambientes institucionais;
    4. Tecnologias de Apoio electrónicas, incluindo tele-assistência, acessibilidade tecnológica, controlos personalizados ou modificados, controlo de ambiental e sistemas integrados;
    5. Estimulação Eléctrica Funcional;
    6. Análise Biomecânica em Reabilitação;
    7. Ortóteses especializadas (incluindo assentos) e próteses;
    8. Análise de marcha.

O documento “Rehabilitation Engineering Services: Functions, Competencies And Resources” produzido pelo RESMaG (Rehabilitation Engineering Services Management Group) e IPEM, em colaboração com o CoRE, em 2004, apresenta já orientações sobre as competências, actividades, certificação e qualificação de profissionais de engenharia de reabilitação, bem como os objectivos dos serviços de engenharia de reabilitação no sistema nacional de saúde. Na tabela seguinte apresentam-se os três níveis profissionais identificados [RESMaG 2004]:

Certificação ao nível da Engenharia

Título

Eng Tech
Rehabilitation Engineering Technologist (RET)
IEng
Rehabilitation Engineering (RE)
CEng
Clinical Scientist/Engineer (CE)

 

Em 2001 o Departamento de Saúde publica um documento estratégico para as profissões das ciências da saúde (NHS Making the Change) que contempla a profissão de engenheiro de reabilitação. A evolução desta iniciativa tem sido lenta e tem como actualização um documento de modernização das carreiras científicas lançado em Novembro de 2008 para consulta pública até Março de 2009 [VRCT].

Um pouco antes, em 2000, o IPEM em parceria com mais dois organismos profissionais Association of Renal Technologists (ART), e Institution of Engineering and Technology (IET)) inicia o registo voluntário dos profissionais que trabalham como tecnólogos clínicos no sector da saúde (público e privado) com o objectivo de iniciar o processo de regulação da profissão [VRCT].

A actividade profissional dos Tecnólogos Clínicos (Clinical Technologists) é dividida em Física Clínica e Engenharia Clínica com as seguintes especialidades:

Tecnólogo de Física Clínica

Medicina Nuclear – Praticada por Tecnólogos de Medicina Nuclear
Radioterapia Física – Praticada por Tecnólogos de Radioterapia física
Radiação Física – Praticada por Tecnólogos de Radiação física

Tecnólogo de Engenharia Clínica

Engenharia Médica – Praticada por Tecnólogos de Engenharia Médica
Engenharia de Radiação – Praticada por Tecnólogos de Engenharia de Radiação
Engenharia de Reabilitação – Praticada por Tecnólogos de Engenharia de Reabilitação
Tecnologia Renal Praticada – Praticada por Tecnólogos Renais

Consideram-se Tecnólogos de Engenharia de Reabilitação os profissionais que desenvolvem actividades de engenharia, mecânica, eléctrica ou electrónica relacionadas com cadeiras de rodas, tecnologias de apoio, equipamentos de comunicação e tele- assistência.

Em 2005 a parceria VRTC produz o documento “The Clinical Technologist: Scope of Practice” definindo o campo de actuação de cada profissão e inventariando as suas tarefas específicas [VRTCa 2005].


Última actualização: 10 de Janeiro de 2010