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O Engenheiro de Reabilitação
é um dos vários profissionais envolvidos no processo de
reabilitação. As pessoas com necessidades especiais são
o alvo desse processo e um elemento da equipa de Reabilitação.
Este profissional tem que comunicar com os restantes profissionais, ter
contacto directo e entender as necessidades de pessoas com deficiência
e idosos.
Segundo a RESNA (cit. [Azevedo 1993])
um Engenheiro de Reabilitação possui determinadas características
que o diferenciam de outros profissionais envolvidos no fornecimento de
tecnologias de apoio, nomeadamente:
1. Especialização em Engenharia: envolve treino e/ou
experiência no uso de princípios de engenharia apropriados
a uma tarefa particular.
2. Especialização Técnica: inclui conhecimento
e compreensão das tecnologias de apoio disponíveis e dos
seus princípios operacionais.
3. Especialização em Projecto: envolve a aplicação
sistemática dos princípios de engenharia e conhecimentos
técnicos para o desenvolvimento de soluções inovadoras
para desafio técnicos de reabilitação.
Para James Reswick, Presidente fundador da RESNA, o principal critério
para definir um Engenheiro de Reabilitação é a sua
actividade em engenharia de reabilitação, e não a
sua formação ou grau académico. Assim, um engenheiro
de qualquer especialidade que trabalha em engenharia de reabilitação,
durante esse tempo, é um Engenheiro de Reabilitação
[Reswick
2000].
Segundo Reswick as actividades de Engenharia de Reabilitação
incluem (mas não estão limitadas a):
Invenção, Investigação e Desenvolvimento,
Avaliação, Produção e Marketing, Selecção
de Tecnologia, Prestação de Serviços, Instruções
de Uso, Manutenção e Reparação.
Rory Cooper considera haver 5 locais principais de trabalho
para um Engenheiro de Reabilitação:
1 - Investigação/treino numa universidade ou organismo governamental;
2 - Desenvolvimento de produtos por fabricantes;
3 - Prestação de serviços de engenharia de reabilitação
num estabelecimento clínico;
4 - Serviço de engenharia de reabilitação num departamento
de reabilitação;
5 - Serviços de consultoria privados.
Em 1991, Lawrence Trachtman coloca o “dedo na ferida” num
estudo com o título provocador “Who
is a Rehabilitation Engineer?” [Trachtman 1991]. É
uma pergunta provocadora e perturbadora porque não pode ser respondida
com a simplicidade que trataríamos a pergunta “Quem são
os Engenheiros Mecânicos ou Engenheiros Electrotécnicos?”.
Trachtman admite a hipótese que a dificuldade de identidade dos
engenheiros de reabilitação se deve à falta de um
currículo de formação tradicional com grau acreditado.
Mesmo num grupo que pratica engenharia de reabilitação é
difícil encontrar pessoas que se identifiquem como engenheiros
de reabilitação.
Num esforço para determinar que profissionais se identificavam
como engenheiros de reabilitação, Trachtman organizou e
enviou um questionário a 285 membros do grupo de profissionais
de engenharia de reabilitação da RESNA (RE-PSG). Dos 184
membros que responderam apenas 120 (65%) se consideravam Engenheiros de
Reabilitação. Destes 120, a maioria (88%) tinha um grau
académico de engenharia, mas poucos estavam registados como profissionais
de engenharia (24%). Este investigador admite que os motivos porque outros
membros do grupo (RE-PSG) não se consideram Engenheiros de Reabilitação
poderão ter a ver com o facto de terem simplesmente interesse sobre
a área de engenharia de reabilitação, de se considerarem
Engenheiros Biomédicos ou investigadores sem actividade de prestação
de serviços directos aos clientes.
O estudo Trachtman para caracterizar a prática dos Engenheiros
de Reabilitação incluiu as seguintes questões de
investigação:
1. Qual é o background educacional dos Engenheiros de Reabilitação?
2. Em que áreas trabalham os Engenheiros de Reabilitação?
3. Qual é a distribuição geográfica dos
Engenheiros de Reabilitação?
4. Em que locais trabalham os Engenheiros de Reabilitação?
5. Qual é a estrutura salarial dos Engenheiros de Reabilitação?
6. Em que áreas tecnológicas actuam os Engenheiros de
Reabilitação?
Os graus académicos dos 120 profissionais que se consideravam
engenheiros de reabilitação estavam distribuídos
da seguinte forma: 5 Associados (preparatórios de engenharia);
22 Licenciados (Bachelors), 47 Mestres e 41 Doutorados.
As áreas de trabalho consideradas foram:
- Prestação de Serviços,
- Investigação e Desenvolvimento,
- Gestão/Administração,
- Planeamento Politico,
- Educação/Formação,
- Comércio/marketing.
Cerca de 90% destes 120 profissionais trabalhava na prestação
de serviços ou em actividades de investigação e desenvolvimento.
Quanto aos locais de trabalho foram considerados hospitais, universidades,
organismos ligados à educação e formação
profissional, escolas, organismos ligados à Deficiência,
industria, actividade privada e consultoria. Apurou-se que cerca de metade
dos 120 profissionais trabalhava num hospital ou numa universidade.
As áreas tecnológicas onde se previa que os engenheiros de
reabilitação actuassem foram:
- adaptação automóvel,
- recreação adaptada,
- comunicação aumentativa,
- acesso ao computador,
- controlo ambiental,
- estimulação eléctrica,
- modificações de habitações,
- tecnologias para a mobilidade,
- próteses e ortóteses,
- robótica,
- sistemas de posicionamento,
- cuidados pessoais,
- ajudas sensoriais
- modificações de postos de trabalho.
Destas áreas as menos mencionadas pelos inquiridos foram as que
são servidas tipicamente por outros profissionais tais como Próteses
e Ortóteses e Recreação Adaptada.
Última actualização: 30 de Janeiro
de 2010
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