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Engenheiro de Reabilitação

Para James B. Reswick, Presidente fundador da RESNA, o principal critério para definir um Engenheiro de Reabilitação é a sua actividade em engenharia de reabilitação, e não a sua formação. Assim, um engenheiro de qualquer especialidade que trabalha em engenharia de reabilitação, durante esse tempo, é um Engenheiro de Reabilitação (James B. Reswick, 2000).

Este ponto de vista de James Reswick, aceita-se com naturalidade quando um profissional de engenharia (ou equivalente) exerce, num local de trabalho, uma função de Engenheiro de Reabilitação. Contudo, no contexto actual no qual ainda não existem licenciados em engenharia de reabilitação não é fácil alguém considerar-se ou ser considerado Engenheiro de Reabilitação. Mas há alguns profissionais que se consideram Engenheiros de Reabilitação e que são reconhecíveis como tal devido fundamentalmente à força da sua vocação e experiência adquirida. Estes reconhecem com alguma facilidade os seus pares.

Pessoalmente, afirmaria que um Engenheiro de Reabilitação é um técnico cujo interesse profissional dominante consiste em apoiar a qualidade de vida de populações com necessidades especiais, nomeadamente idosos, pessoas com deficiência e acamados, nos domínios da ciência e tecnologia. É um profissional que trabalha com objectos (tecnologia), teorias (ciência), pessoas e para as pessoas (trabalho social). Por isso, aplica os conhecimentos das ciências da engenharia, ciências humanas e sociais, tecnologias de reabilitação, princípios de acessibilidade e ergonomia.

O Engenheiro de Reabilitação trabalha habitualmente como membro de uma equipa multidisciplinar assistindo outros profissionais (reabilitação, engenharia ou em serviços com grande impacto público) na resposta a necessidades de indivíduos com necessidades especiais em áreas como o acesso a tecnologias e serviços conexos, educação, emprego, transportes, saúde e reabilitação funcional, vida independente e recreação.

Missão

O Engenheiro de Reabilitação tem como principal missão:

1 – Encontrar e desenhar soluções específicas e à medida para problemas de acessibilidade, mobilidade, recuperação e melhoria das capacidades funcionais de pessoas com deficiência;

2 – Promover a acessibilidade integral na sociedade, organizando-a de maneira a permitir a todos, incluindo aqueles que têm necessidades especiais, o acesso da forma mais independente e natural possível;

3 – Contribuir para o aparecimento de concepções inovadoras de promoção de autonomia que facilitem a realização dos actos da vida diária das pessoas com necessidades especiais;

4 – Promover a criação e desenvolvimento de instrumentos e tecnologias que facilitem, optimizem e prolonguem a funcionalidade de pessoas com deficiência;

5 – Melhorar a organização e competência tecnológica dos serviços prestados à população com necessidades especiais;

6 – Estimular a adopção de medidas que visem a prevenção de acidentes causadores de deficiências e incapacidades;

7 – Influenciar os serviços do Estado e o sector económico para a necessidade de criar produtos, tecnologias, serviços e ambientes sem barreiras para pessoas com actividade limitada;

8 – Estimular a criatividade na área tecnológica e de design num domínio pouco desenvolvido;

9 – Liderar o desenvolvimento do conhecimento científico, novas metodologias e tecnologias que possam beneficiar populações com necessidades especiais;

10 – Promover o aparecimento de tecnologias de apoio economicamente mais acessíveis;

11 – Promover a transferência de tecnologia de outros domínios para aplicação no apoio a populações com necessidades especiais.

12 – Avaliar proactivamente o impacto de tecnologias emergentes;

13 – Fomentar a partilha de conhecimento especializado e de experiências entre profissionais e pessoas com necessidades especiais;

14 – Participar activamente no desenvolvimento da profissão.

Competências

Competências de análise crítica


O Engenheiro de Reabilitação deve dispor de competências de análise critica que lhe permitam:

1 – Compreender especificações técnicas de produtos, tecnologias e serviços;

2 – Fundamentar o processo de resolução de problemas e tomada de decisões em conhecimento científico e técnico, na análise de viabilidade económica e na avaliação dos seus impactos;

3 – Preparar estudos de base, incluindo o anteprojecto, em que se define os traços gerais o trabalho de engenharia no sentido de avaliar custos, benefícios, impactos e interdependências com outros trabalhos e profissionais;

4 – Propor soluções técnicas apropriadas, usando tecnologias novas ou já existentes, com inovação, criatividade e economicamente acessíveis;

5 – Interpretar as necessidades de tecnologia e acessibilidade das populações com necessidades especiais em vários contextos da vida;

6 – Interpretar o factor psicológico, especificidade e contexto socio-económico do indivíduo com necessidades especiais.

7 – Identificar os limites dos seus conhecimentos e aptidões;

8 – Compreender as sinergias do trabalho em equipas multidisciplinares;

9 – Posicionar-se perante modelos e organizações de prestação de serviços a populações com necessidades especiais;

10 – Compreender o seu papel no trabalho social e no mercado;

11 – Compreender dinâmicas de actuação do Estado e do sector económico face a populações com necessidades especiais;

12 – Avaliar antecipadamente o impacto de tecnologias e serviços emergentes;

13 – Avaliar a tecnologia utilizada em outros domínios na aplicação a populações com necessidades especiais.


Competências de intervenção


O Engenheiro de Reabilitação deve dispor de competências profissionais para ser capaz de

1 – Trabalhar numa equipa multidisciplinar com profissionais de engenharia, reabilitação, educação especial, acção social e gestores;

2 – Aplicar os seus conhecimentos e a sua capacidade de compreensão e resolução de problemas em situações novas e não familiares, em contextos alargados e multidisciplinares, ainda que relacionados com a sua área de estudos;

3 – Desenvolver um plano de tecnologias e serviços de reabilitação e acessibilidade realista e concretizável, sem aumentar as expectativas de cliente;

4 – Desenvolver soluções ou emitir juízos sobre questões complexas, incluído reflexões sobre as implicações éticas e sociais que resultem ou condicionem essas soluções ou juízos;

5 – Gerir, participar e controlar processos de fabricação;

7 – Projectar, coordenar, executar e fiscalizar trabalhos de engenharia de reabilitação e design universal de produtos e serviços, incluindo a mobilização e gestão de pessoas, recursos e tempos;

8 – Assegurar direcções técnicas;

9 – Prestar consultoria, assistência técnica e assessoria;

10 – Investigar e aprender novos conhecimentos ao longo da vida nos domínios das engenharias, tecnologias de reabilitação e acessibilidade, com elevado grau de autonomia;

11 – Trabalhar em actividades de normalização, medida e controlo de qualidade;

12 – Executar vistorias de segurança, peritagem, avaliação de equipamentos, auditoria e elaboração de pareceres técnicos;

13 – Assegurar a manutenção de equipamentos;

14 – Avaliar e seleccionar a melhor tecnologia para um indivíduo em particular;

15 – Optimizar condições de trabalho de pessoas com actividade limitada;

16 – Aplicar legislação e normas técnicas relacionadas com ajudas técnicas e acessibilidade.


Competências comunicacionais


O Engenheiro de Reabilitação deve dispor de competências comunicacionais para:

1 – Avaliar os desejos do cliente e transmiti-los à equipa;

2 – Comunicar com uma vasta gama de pessoas com necessidades especiais, conseguindo que estas se sintam confortáveis para discutir as suas necessidades;

3 – Comunicar informações, ideias, problemas e soluções, tanto a públicos constituídos por especialistas como por não especialistas;

4 – Ensinar e fazer divulgação técnica;

5 – Participar em acções de sensibilização sobre os problemas das pessoas com deficiência e idosos;

6 – Influenciar decisores de empresas, instituições e poderes políticos na adopção dos princípios de acessibilidade em produtos, sistemas, serviços e ambientes;

7 – Partilhar informações e experiência com os seus pares a nível internacional;

8 – Promover a divulgação da importância da Engenharia de Reabilitação e Acessibilidade.

Última actualização: 26 de Novembro de 2005

 


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